08
mai
12

Old is cool

Este slideshow necessita de JavaScript.

A curiosidade humana e seu fascínio pelo novo, que muitas vezes não é novo, pelo contrário: é velho! O velho se torna novo quando se trata de algo nunca antes experimentado. Estamos em 2012, numa era em que a tecnologia não para de avançar por um segundo sequer. De que outra forma eu poderia explicar o que senti nas últimas semanas, quando começamos a trabalhar com fotografia analógica na faculdade?

Há três semanas, pegamos filmes P&B e saímos pelo campus armados com analógicas. Eu usei uma Nikon FM2 com objetiva 50mm. A aventura começou aí. O exercício proposto pelo Vitché foi dividir as 36 poses do filme entre os temas retrato, arquitetura e livre. Minha primeira dúvida foi se conseguiríamos alguma imagem boa, já que temos aulas à noite, e mesmo com câmera digital, às vezes temos dificuldade em conseguir captar imagens na baixa luz. Com uma analógica e filme ASA 400, seria infinitamente mais difícil, pensei. I was wrong.

Como disse, saímos com o filme ASA 400, só que puxado pro 800. Desconfiada que sou, levei um tripé, por precaução. O primeiro desafio que a câmera analógica nos propõe é pensar a foto antes de batê-la. Sim, é uma das primeiras orientações que nos passam em qualquer curso de fotografia, mas atire a primeira pedra na 5D Mark III quem nunca saiu disparando com a câmera digital pra só depois ter ideia do que realmente quer ver retratado (eu sei, todo mundo já fez isso, mas ninguém vai atirar pedras na 5D Mark III). Pois então, a câmera analógica nos obriga a pensar e repensar antes de por o dedo no obturador.

Você olha pelo visor (nada de live view aqui! No meu caso, a D40 e a D70 não possuem live view, então não fez diferença) e faz o enquadramento da cena. Você enxerga dois palitos ao lado esquerdo e voilà, aquilo é o que você vai usar pra fotometrar a cena! Palitinhos sobrepostos = luz equilibrada, ok, não é muito diferente das digitais. Só que tem um lance que você pode desequilibrar os palitinhos conforme a cena: observando se a cena tem predominância de áreas claras ou escuras, você mexe o palitinho uns pontinhos pra cima ou pra baixo, tcharammmm, você tem a compensação! O resto é igual às digitais: profundidade de campo pelo diafragma, movimentos congelados ou borrados pelo obturador, essas coisas.

Nem preciso comentar como foi difícil terminar um filme de 36 poses em 3 horas e meia de aula. Nesse mesmo tempo e no mesmo ambiente, costumo bater no mínimo 100 fotos com a digital, entre as quais, se muito, uma dúzia se salva). Pois bem, foi difícil, mas consegui fechar o filme. Difícil foi segurar a ansiedade até a semana seguinte, quando fomos ao laboratório revelar o negativo.

Uma semana depois, estávamos no laboratório, devidamente fantasiados de açougueiros, com nossos aventais brancos que cobriam até os tornozelos (para alguns, mais do que os tornozelos – RISOS) e nossas luvas amarelas de borracha. São regras primordiais para uso do laboratório.

Nessa aula, dada pelo Vitché, tivemos o auxílio da Saissu, que manja tudo de lab. Ela nos ensinou a enrolar o negativo na espiral sem sobrepor nenhum pedaço, pois se isso acontecesse, bye bye fotos: os químicos não teriam por onde circular, o pedaço grudado ficaria com uma mancha, e aquele momento que você demorou tanto pra pensar e clicar ficaria perdido pra sempre, restando apenas na sua memória… mas quem confia na própria memória?

Treinamos por uns minutos a enrolar o negativo na espiral, ainda no lab iluminado, utilizando negativo teste. Felizes e descontraídos, não sabíamos o que estava por vir. Com as luzes apagadas, você perde a noção do que é espiral, negativo… você vai enrolando na escuridão e sente o filme travar, volta, enrola de novo. Parece que está torto, você passa o dedo e tem rebarbas saindo da espiral, respira fundo, desenrola de novo, se sente a mais lerda da face da Terra, acha que todos estão com seus filmes prontos e enrolados nas latinhas e você lá toda enrolada no filme. Enrolei tudo de novo sem sentir firmeza. Já tinha desistido quando o Pepe veio me socorrer. Meu negativo estava todo torto, se não fosse o Pepe corrigir, teria perdido ele praticamente inteiro.

Ainda no escuro, colocamos os negativos devidamente enrolados nas latinhas e esperamos até que todos tivessem terminado. Qualquer frestinha de luz nesse momento destruiria todo nosso trabalho. Luzes acesas, pupilas se contraindo e a gente fazendo caretas. A parte seguinte era a mais demorada, passar o negativo por todos os químicos e fazer a lavagem. Pepe foi minha dupla, nossos filmes estavam na mesma latinha. Ele fez o trabalho braçal de ficar agitando o recipiente enquanto eu tranquilamente cronometrava. Depois do último químico, Pepe abriu a latinha e de lá saíram nossos negativos revelados… indescritível a sensação. Coloquei contra a luz e fiquei lá admirando aquele pequeno milagre. Muitas das minhas fotos ficaram superexpostas, mas ainda assim dava pra ver nitidamente as cenas que eu havia retratado. Dali era esperar mais uma semaninha pra finalmente ampliar as imagens. Haja coração…

Na semana passada, voltamos ao lab. Desta vez, sem o Vitché, que se mandou pra França pra tomar vinho e passear entre apple fields forever. Grande Vitché! Na realidade ele foi fazer uma cicloviagem fotográfica pelo Vale do Loire, um lugar que estamos conhecendo através das fotos que ele tem postado no Facebook, e me parece um lugar encantador, típico de contos de fadas.

Quem nos tutelou no lab foi a Saissu, com sua sabedoria e paciência oriental. Ela nos explicou como funciona o ampliador, as partes componentes e para que servem, como ligar e focar, usar o timer. Fizemos um teste em conjunto com uma foto que eu bati. Dizem que a primeira vez que você vê uma imagem surgindo no papel mergulhado no químico você nunca esquece. Pois bem, vou me lembrar para sempre do sorrisão do Vini surgindo naquela folha de papel. Vini à deriva, indo pra lá e pra cá, suavemente na bandeja.

Depois deste teste, fomos fazer nossas próprias ampliações. Não é fácil, era meu primeiro contato com laboratório, as informações ainda não tinham sido completamente absorvidas, aquela luz vermelha irritante… mas perguntando aqui e ali, fui fazendo. A Tati me ajudou a montar a lente no ampliador e a ligar o timer. Coloquei o negativo e projetei na mesa. Focar aquilo na luz vermelha é pros fortes. Tem uma lupinha que deveria ajudar, mas no meu caso não serviu pra nada… e olha que eu tentei! Bem ou mal, consegui me virar com o foco confiando no meu olho. Coloquei o papel sob o vidro de contato, programei o tempo, respirei e apertei o botão. Corre pra bancada dos químicos, joga o papel na bandeja do revelador e olha, temos uma imagem!!! Mas peraí… tá ficando escura… escura… escura… hey, alguém manda essa imagem parar de escurecer?

Frustradérrima com minha bela imagem de um buraco negro, voltei pro ampliador. Enquanto isso, o Gui berrava da bancada de químicos, me acusando de abandonar minha filha lá boiando no revelador… mas eu não tinha abandonado, estava só deixando dar o tempo (claro que eu esqueci depois). De volta ao ampliador, pensando no que poderia ter dado errado, mexi na abertura da lente, ajustei aqui e ali… pronto, põe papel de novo, aperta botão e corre pra bancada. Coloca a folha no revelador e a imagem aparece, vai ficando escura, escura, escura… caraco, deu errado de novo. Um pouco menos errado, mas ainda errado. Mais uma vez de volta ao ampliador. Desta vez diminuí o tempo no timer. Mudei a foto também. Papel sob o vidro, foco definido, abertura calculada, aperta botão, corre pra bancada… papel no revelador, a imagem foi aparecendo, escurecendo… parou! Parece um pouco clara demais, mas não ficou o negrume das anteriores. Satisfeita, coloquei as fotos no secador e fui embora feliz.

Ontem voltei ao lab pra pegar as fotos. Lindas! Não pela qualidade, que aliás, está sofrível, mas por serem as minhas primeiras. Essa foto em especial. Vini e Su, fiquem avisados que meus netos conhecerão vocês através dessa foto.

Meus sinceros agradecimentos a todos os envolvidos. Vitché, por ter nos dado essa oportunidade tão cedo (ainda estamos no primeiro semestre e já vimos tanta coisa!). Só suas aulas salvam a noite de sexta-feira na faculdade! Saissu, pela incrível paciência que tem conosco, sempre! Pepe, meu mentor, não teria conseguido se não fosse sua ajuda na revelação do negativo! E todos os colegas pelas dicas e compartilhamento de informações, risadas e apoio moral.

06
fev
12

quando deus me desenhou…

… ele tava namorando na beira do mar do amor… enquanto deveria estar praticando os exercícios do curso profissionalizante de desenho do Instituto Universal Brasileiro. Só pode. Só isso explica ter me feito com braços que não alcançam direito as costas.

E isso não é um problema só meu não! Sei que muita gente já publicou sua insatisfação no Reclame Aqui divino por causa deste problema. Alcançar a totalidade da área das costas com as próprias mãos é um privilégio restrito a poucas tribos, tais como praticantes avançados de Yoga e os artistas do Circo Imperial da China (e congêneres).

Não consigo compreender, já que o ser humano foi projetado com tanto esmero e perfeição, porquê não esticar os braços em alguns centímetros, de modo que o indivíduo fosse capaz de aplicar filtro solar de maneira uniforme sobre suas próprias costas. Trata-se de um detalhe simples que faria toda a diferença.

MAS NÃO! Toda santa vez que você, mero mortal (ou seja, não praticante de Yoga avançada nem artista circense) deseja se proteger dos malefícios do astro Sol, precisa se submeter à humilhação de pedir a alguém pra espalhar o filtro em você. A coisa é tão constrangedora que muitos deixam de ir à praia sozinhos para não ter que passar pelo perrengue de ficar com uma marca vermelha e ardida onde a mão não alcançou ou ter que pedir para um estranho fazer o serviço. A indústria farmacêutica, nada ingênua, foi e lançou o protetor solar spray, mas não dá pra confiar muito nestes (vai que você fica com um bronzeado em forma de micro gotículas de spray, já que não é possível espalhar o produto após a aplicação). Ok, é possível usar utensílios diversos pra dar uma espalhadinha: uma colher de pau de cabo longo, uma espátula, etc. Mas não é uma coisa muito prática carregar tais objetos pra praia.

E eu nem mencionei o banho, gente. Tem aquele lugar das costas que esponja nenhuma no mundo chegará se depender só de nossos bracinhos. E nessas horas, fazer o que? Chamar a mãe pra esfregar suas costas no banho (ok, eu confesso que já fiz isso)?

Mas tem a tal da Teoria da Evolução de Darwin. Seleção natural. Segundo a qual os seres mais adaptados sobreviveriam. A girafinha aprendeu a esticar o pescocinho pra alcançar alimento na copa das árvores e com isso fez se corpo se modificar, até chegar a esse pescoção que ela tem hoje. Não é isso? Pois então, eu deveria ter ganho alguns vários centímetros depois de anos de luta tentando alcançar a parte central das minhas costas. Mas talvez ainda não seja hora. Talvez, passar protetor solar uniformemente nas costas não seja ainda uma prioridade para garantir a vida dos seres humanos.

Admito que já houve uma grande evolução. Olhe nossos primos dinos, com seus bracinhos curtíssimos. Diz-se que viemos dos macacos (uma teoria sobre a qual tenho ressalvas, pois, se realmente somos macacos evoluídos, por que raios ainda existem macacos hoje? Mas isso abriria discussão pra um outro post), e não dos répteis, mas tomo aqui a evolução de maneira universal, abrangendo todos os seres.

Aliás, não tenho certeza, mas creio que um macaco seja capaz de passar protetor solar nas próprias costas. Logo ele, que tem pelos e não precisa dessas coisas…

30
jan
12

Pedala, Lux!

Faz uns 3 anos que comprei minha bicicleta, a Bicicleide, uma Caloi Terra. Confesso que escolhi por dois motivos principais: o preço e a cor.

À época, eu e minha irmã estávamos passando por uma vibe de curtir uns programas outdoor nos finais de semana. Depois de anos, resolvemos voltar a patinar, e lá fomos nós atrás de patins novos. Patinamos por alguns findes no Parque Villa-Lobos (ótimo lugar, aliás, pra patinação sobre rodas), e então começamos a pedalar.

A princípio, alugávamos bikes e pedalávamos por uma hora dentro do parque. Com o passar do tempo, os limites do parque foram ficando tediosos, e começamos a sair pra pedalar pela região. Íamos até a USP, com nossas bikes alugadas sem marcha. A coisa começou a ficar mais séria, e começamos a achar que não valia a pena ficar gastando com o aluguel todo final de semana. Foi então que surgiu a ideia de comprarmos nossas bikes.

Foi assim que a Bicicleide veio até mim. Escolhida no site do Submarino.com, pelo preço bom, pela cor vermelha, e pela maravilha das 21 marchas.

Passeamos pelo bairro por algum tempo, nada muito grandioso, coisa de 10km em média, muito medo da rua e dos carros. Sempre que possível, pedalava na calçada (dá zero pra ela!!! Lugar de bike é na rua, como qualquer outro meio de transporte).

Muita coisa aconteceu desde então. Minha irmã foi trabalhar no barquinho e eu passei a pedalar sozinha.  Após o advento Ciclovia Marginal Pinheiros, meu horizonte ciclístico começou a se ampliar vastamente. No início o desafio era atravessar a ciclovia de ponta a ponta (de Interlagos à Vila Olímpia, ou seja, a distância de 14km, somando a estes os 5km e poucos metros que se leva da minha casa à entrada, o que resultava em aproximadamente 20km). Eu precisava escolher entre ir pedalando até a Vila Olímpia e voltar de trem, ou ir de trem até lá e voltar pedalando.

O fato de naquela época não haver saídas no percurso tornava a coisa ainda mais aventurosa. Agora há saídas nas estações Jurubatuba (perto do quilômetro 3,5 vindo de Interlagos) e Santo Amaro (por volta do quilômetro 6 vindo de Interlagos), o que facilita bastante aos usuários.

Com alguns finais de semana de treino, fui perdendo o medo da rua, e minhas pernas foram se acostumando com a distância. Num ato de coragem, certo dia eu e o Isma (meu coach de corrida, que eventualmente me acompanha em pedaladas) nos desafiamos a ir e voltar o trajeto inteiro pedalando – isso significava 40km. Havia um problema, porém, na altura do quilômetro 36: uma rua inclinada a 80 graus, difícil de encarar mesmo a pé. Vínhamos, então, pedalando até a estação Autódromo e de lá pegávamos o trem por uma estação apenas, só por causa de uma subidona maldita. Foram algumas caronas no trem até que passamos a encarar a subida na raça, empurrando as bikes. E assim, passamos a completar 40km. Desde então, a coisa só tendeu a melhorar. Passei a sair da ciclovia na Vila Olímpia e dar umas pedaladas pela região, Parque do Povo e arredores.

Enquanto isso, ciclistas morriam atropelados nas grandes avenidas, o que gerava enorme revolta por parte de outros ciclistas e simpatizantes. Passeatas começaram a surgir, ou melhor, pedaladas de protesto. Ciclistas nus saíam pela Av. Paulista com os corpos pintados pedindo mais segurança. A causa deu certo: foram criadas ciclofaixas de lazer aos domingos. Ciclistas e famílias puderam passar a tirar suas bikes das garagens e exercitar suas pernas por algumas horas tranquilamente pelas ruas da capital, e a coisa foi só crescendo. Começou com um trajeto de 5km ligando o Parque do Povo ao Parque do Ibirapuera, e hoje já temos ciclofaixas em outros pontos, perfazendo 22,5km de trajeto, o que resulta em 45km ida e volta. Mapa das ciclofaixas aqui.

Assim ficou fácil fazer 60km pedalando o trajeto de casa (Interlagos) até o Parque Villa-Lobos ida e volta. Mas meu espírito aventureiro gritou depois de algumas viagens na segurança das ciclofaixas e da ciclovia, e comecei a arriscar umas pedaladas nas ruas. De fato, é bastante perigoso disputar ruas e avenidas com carros, motos e ônibus. Eu sinto, porém, que hoje em dia o ciclista é muito mais respeitado que há alguns anos. Pode também ser efeito de eu ter me acostumado com as ruas. A partir do momento em que decidi encarar o mundo fora da ciclovia, providenciei capacete, luvas e luzes de sinalização, pra dar aquela forcinha na segurança. Sei que fico parecendo um dinossauro com aquele capaçoto gigante na cabeçorra, mas quem nunca pagou de palhaço na vida, não é mesmo?

Nas pedalanças pelas estradas da vida, costumo escolher trajetos que não tenham muita subida, e de preferência, lugares diferentes a cada passeio. No último domingo, resolvi conhecer a ciclo rota que liga o Parque Villa-Lobos ao Parque da Água Branca. Por ser uma ciclo rota, fiquei receosa de que não houvesse sinalização o bastante, uma vez que me largar nas ruas da Lapa é o mesmo que me deixar no meio da floresta, dado que não conheço nada da região. Dei uma olhada num mapa da ciclo rota que achei no Google, tentei imaginar onde ela começaria, e então fui à luta. Logo no início há uma sinalização grande, na Av. Padre Pereira de Andrade. Fui seguindo e percebi que de tantos em tantos metros havia alguma placa ou indicação no asfalto (um desenho de bike, como aquele lá da foto no início do post) de que aquela era a rota de bicicletas. É um trajeto com algumas subidas e que exige certo preparo físico. Ainda assim, foi uma rota bem elaborada. Com o meu condicionamento físico, que está longe do espetacular, eu consegui fazer o percurso sem precisar descer da bike. E isso porque eu já havia pedalado mais de 30km de casa até o Villa-Lobos. Ok, eu corro também, o que com certeza ajudou no condicionamento.  A sinalização também é suficiente, pois como disse, eu nunca havia passado por aquela região, e na maior parte do tempo, eu não fazia ideia de onde estava meu norte, mas consegui chegar ao meu destino: o SESC Pompéia. Segue abaixo um mapa do trajeto da ciclo rota.


View Larger Map

Essa ciclo rota tem como final o Parque da Água Branca, como eu havia dito. Eu não fiz o caminho todo, fui só até o SESC Pompéia (Segundo o Google Maps, o trajeto deu 7,6km do Villa-Lobos até o SESC) e de lá cortei à direita na Av. Sumaré, de onde segui pra Av. Henrique Schaumann, Av. Brasil, Av. República do Líbano, Av. Hélio Pelegrino e ruazinhas adjacentes até cair de novo na entrada da ciclovia na Vila Olímpia.

Até esse ponto foram 50km pedalados. Minhas coxas pesavam um pouco por causa das subidas na Lapa. Mas ainda havia 20km até minha casa… pedalei em ritmo confortável até a altura da Granja Julieta, onde fui atacada por um vento forte vindo de frente. Quem pega a ciclovia sabe o quanto pesa o vento contra, ainda mais quando ele vem na sua volta, quando o corpo já está no limite do cansaço. Chegando em Santo Amaro parei minha jornada, por amor às minhas pernas. Saí pelo novo acesso (muito bom, aliás, todo em rampa, ao contrário da saída improvisada que há na Vila Olímpia, onde temos que empurrar as bikes numa escada estreita) e peguei o trem até Primavera-Interlagos.

Comecei minha jornada ao meio dia e às 17h estava de volta. Tirando o tempo que parei nos parques e no SESC, foram 4 horas de pedalada. Uma cara e ombros tostados de Sol, uns 3 litros a menos de líquido no corpo, cerca de 1800 calorias queimadas, e uma endorfina contagiante correndo no sangue, dando aquela sensação de que todo esforço valeu a pena.

19
jan
12

The miracle of life

Um aviso: vou descrever uma cena nojenta. Se você tem asco a baratas, não prossiga.
_____________________________________________________________
Hoje pela manhã, enquanto secava o cabelo, notei que havia uma movimentação estranha no cantinho do chão, perto da porta do meu quarto. Dei um pulo ao ver que era uma barata morta (eu sempre levo um susto enorme quando me deparo com qualquer criatura inerte). Olhando mais de perto, vi que a pobre baratinha estava COBERTA por milhares de formiguinhas que lutavam em arrancar-lhe pedaços.

Fiquei lá, secando o cabelo e olhando a cena com a maior cara de “ai que nojo” do mundo quando, de repente, A PATINHA SE MOVEU!!! Gente, a baratinha estava viva sendo comida pelo mar de formiguinhas!

Aquilo era uma cena de crueldade indescritível, a baratinha estava tendo uma morte lenta e dolorosa, do tipo que não desejaria a ninguém. Nem mesmo a uma baratinha asquerosa. Movida por um impulso justiceiro, fui à área de serviço e voltei com o Baygon, disposta a dar fim àquela agonia.

Foi então que me dei conta que se eu borrifasse o veneno sobre a barata, ela morreria em segundos e deixaria de sofrer, mas toda a horda de formiguinhas acabaria perecendo também. Seria justo? Cada formiguinha daquela também era um ser vivo. Um ser contemplado pelo milagre da vida. Aquelas pequenas formigas eram pequenos milagres.

As pessoas buscam inúmeras explicações sobre a origem da vida. Eu só consigo pensar que é um milagre. Células que se unem e se transformam num ser vivo. Células que se desenvolvem e se modificam a fim de exercer diferentes funções vitais. Células que quando danificadas lutam exaustivamente por uma alternativa que as possibilite continuar vivendo.

Daí eu não entendo o que há de tão difícil para as pessoas se darem conta desse milagre. Diariamente vemos nos jornais notícias sem fim de mortes estúpidas e sem sentido. Gente que mata por uns trocados. Gente que morre por milhões de dinheiros. Gente que volta andando da balada pra não dirigir alcoolizada e é atropelada na calçada por um motorista bêbado. Gente, qual o sentido disso? Qual o valor de uma vida? Como é isso de “assumir o risco de matar”?

No final, tudo é tão fácil de se resolver… o cara tira uma vida, vai em cana, depois paga alguns vários dinheiros e é liberado. Ah, mas tem ainda a dívida com Deus, daí ele vai lá, pede perdão, ora, e sua alma tem novamente um lugarzinho cativo no paraíso. Muito fácil.

Paraíso, gente? Paraíso é estar vivo. Ter o direito de curtir o momento que te cabe no meio do grande milagre. Aquele cara que foi assassinado a troco de um relógio não queria morrer. A baratinha ali agonizando no chão do meu quarto não queria morrer. Nem o yorkshire arremessado no chão pela dona maluca. Me envergonho de pensar que às vezes eu acredito que minha vida é tão sem sentido que eu preferiria não existir… enquanto tanta gente, tanto ser vivo que lutou até o último segundo pra continuar vivendo e eu simplesmente às vezes tenho vontade de desistir.

Life is crazy, living is crazy. But it´s life.

Olhei de novo pra baratinha coberta de formiguinhas e baixei a pistola de baygon. Eu que não seria aquela a tirar a vida daquele monte de milagrezinhos. Só espero que hoje quando eu chegar em casa elas já tenham terminado o serviço.

E o que o Brad Pitt tem a ver com a história? Essa imagem foi tirada do filme The Tree of Life (muito bom, aliás, história meio brisante, mas a fotografia é magnífica, dá vontade de congelar casa cena e criar um álbum) e eu acho que é um retrato fiel do deslumbramento no momento em que se dá conta do tal milagre da vida.

31
dez
11

e a mandinga da virada 2011/2012…

Escolhi a calcinha branca!

Porque dinheiro eu vou trabalhar e suar (muito!) pra ter.
Amor é mais gostoso quando se conquista.
Sorte é bom, mas não se deve depender só dela.

Quero é paz, pra mim e pros meus queridos.

FELIZ 2012!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(imagem retirada de http://www.hopelingerie.com.br)

29
dez
11

barulhos, bagulhos e a preguiça de atender ao telefone

Todo mundo tem um defeito, né? Pode ser de fábrica ou acidental. Pode ser invisível ou ser bem evidente. Pode ser real ou imaginário. Mas ninguém nunca está totalmente contente consigo mesmo.

Eu tenho vários defeitos.

O maior deles veio de fábrica. Nasci assim: sou meio surda. “Meio” é eufemismo, já que na linguagem médica tenho o que se chama de “déficit neurossensorial bilateral em 90dB”, considerado perda auditiva severa. HEIN COMASSIM?

Pois é. Muita gente que me conhece há anos não sabe dessa minha deficiência, mesmo porque eu nunca fui de comentar ou conversar sobre. Outros que tem um contato mais frequente comigo podem até desconfiar. Mas a grande maioria me tacha de esnobe, desligada, avoada, antisocial, autista. RÁ! Agora pesou na consciência de vocês hein, galere que pensou isso de mim… mas não tem problema algum, é a reação mais normal diante de alguém como eu. Isso não vai contar pontos no passport to hell rsrsrs.

Isso porque a minha deficiência é um tanto “especial”. Não podia ser tão fácil assim, não é? Ser simplesmente surda e ponto final. NÃO! Deus tinha um plano um pouquinho mais complicado para mim. Minha perda é acentuada em sons agudos. Os graves estão mais bem conservados, e este é o motivo de eu conseguir me comunicar relativamente bem ao telefone e pessoalmente. Claro que alguns vários “ois?” “quês?” e “desculpa?” escapam, mas não me impedem de compreender o que diz meu interlocutor, esteja ele na minha frente ou ao fone.

O fato de ser um problema congênito também ajuda. Eu cresci sem saber que tinha esse problema, não sei dizer quando foi que notei que era diferente. Em casa também parece não terem notado durante minha infância, visto que só fui procurar ajuda médica aos 24 anos de idade, por conta de um trabalho.

Tenho algumas lembranças: minha irmã irritadíssima comigo porque o telefone de casa se matava de tocar comigo por perto, e eu nem me levantava pra atender. Ela morria de raiva porque eu era a folgada que não atendia o telefone.  Depois que trocamos o aparelho para um com toque mais grave, a preguiça estranhamente sumiu rs. Lembro das aulas de listening no Yázigi, eu tinha que ouvir a gravação trocentas vezes pra entender. Odiava aulas de listening porque eu me sentia a mais burra da face da Terra.

Como disse antes, a perda mais severa é em agudos. Assim, nem adianta vir com esses toquezinhos eletrônicos que não vão fazer nem cosquinha nos meus ouvidos. Taí a razão da minha “preguiça pra atender telefone”. Daí fica estranho, mas vocês conseguem entender quando eu digo que eu consigo falar normalmente ao fone mas às vezes eu não ouço o telefone tocar? Incongruente?

Eis que me encontro num limbo entre a deficiência e a normalidade. Não sou 100% deficiente, nem 100% normal. Vocês não imaginam como isso é FODA rs!

Não curto muito baladas, porque lugares barulhentos me cansam muito pelo esforço feito pra entender o que falam. Não só baladas. Bares e botecos muvucados, ruas barulhentas, metrô… tudo que produza ruído grave mascara ainda mais os agudos e dificultam minha vida. Salas com acústica ruim, pessoas viradas de costas pra mim. Mas isso tudo é adaptável. Só às vezes que fico sem paciência e prefiro ficar na minha sem interagir. Se eu pudesse descrever o quanto é cansativo ter de prestar muita atenção em tudo o tempo todo…

Mas esse defeito de fábrica me fez do jeito que sou… meu jeito de ser. Tenho características (aqui falo da
personalidade) que certamente não existiriam se eu fosse normal.

Aqui cabe a máxima do “há males que vem pra bem”. Pode parecer irônico, mas se você quiser conversar, terá em mim uma ótima ouvinte. Não sou muito boa conselheira, mas quando precisar dar um desabafão, pode contar comigo. Desde que em local calmo, por favor. E quando eu conversar com você, vou te olhar nos olhos e te dar toda a atenção ao que tiver pra me falar. Quando eu estiver trabalhando ou fazendo alguma coisa, estarei prestando atenção no que estiver fazendo. Assim, você pode falar despreocupadamente de assuntos confidenciais com outra pessoa ao meu lado, provavelmente estarei absorta o suficiente em meu trabalho pra prestar atenção no que você está dizendo para outrem. Por tabela, sou sempre a última pessoa a saber das novidades, assim, sou péssima fofoqueira.

Dizem que quando um dos sentidos falha, os outros tendem a se aguçar. Bom, eu até que enxergo bem e meu olfato é infalível. Mas não consegui alcançar o sétimo sentido nem elevei meu cosmo (damn!).

“E por que então você não usa aparelho, Lux?” Porque não é a coisa mais fácil do mundo se adaptar àquela coisa. Minha mãe comprou um pra mim quando consegui o trampo mencionado antes, custou caro pra cacete, mas não consegui me adaptar. Funciona, sim. Ele potencializa todos os sons. Os aparelhos modernos permitem que o fonoaudiólogo ou o otorrino ajustem para que somente determinados sons sejam amplificados. Mas ainda assim é complicado. O meu aparelho é do tipo intra auricular, tapa toda a cavidade do ouvido. É terrível ouvir a própria respiração o tempo todo (experimente tapar os ouvidos com os dedos por alguns instantes). Ouvir a própria voz dentro da sua cabeça. Ruídos de mastigação e deglutição na hora das refeições. Além disso, há um canal por onde entra ar. Se por acaso esse canal for obstruído por alguma coisa (um telefone colocado por cima, por exemplo), soa um apito tenebroso que derrete o cérebro. Fora que você não consegue distinguir de que lado vem o som. Sem falar da estética, porque esses negocinhos são feios pra carai, convenhamos. Não é tipo legal como usar um óculos estiloso. Aparelho é legal pra quem precisa muito, ou pra crianças, que tem adaptação mais fácil. Ou pra pessoas mais pacientes que eu rsrsrs.

É estranho me ver escrevendo este post e colocando na internet. Desde que me entendi como deficiente, passei por um longo período de negação. Negação, negação, negação. Não conseguia avançar pras fases seguintes. É difícil você admitir uma falha sobre a qual você não tem controle algum. Você não tem culpa daquilo, mas não consegue aceitar. É difícil não ser normal e não ter como mudar isso.

O que dá uma sensação de normalidade é o apoio que vim encontrando nos amigos e nas empresas em que trabalhei (Livraria Cultura, Super Pedido, Senac, três empresas com total estrutura para receber gente como eu. Não só as empresas, mas minha gestoria e colegas, sempre foram fantásticos). Sem esse apoio, creio que até hoje estaria na fase da negação. Mas daí vejo-me hoje escrevendo este post. Nada mal!

Mas voltando ao início: todos tem defeitos. Alguns podem ser corrigidos, outros adaptados. Só não dá pra ficar pra todo o sempre reclamando disso e não tentar fazer algo pra melhorar. Eu sou surdinha, e você, que é chatinho? ;D

E ó: se você vier conversar comigo gritando ou fazendo gestos, vai levar uma porrada no nariz (rsrsrs).

30
out
11

Relato da minha primeira vez…


como corredora.

Às 5h39 acordei com um sms: “boa prova hj”. Era o Isma, que correria também, uma outra prova, uma meia maratona de revezamento do Sesc Ipiranga. Cocei os olhos e continuei deitada, afinal de contas, o despertador ainda não tinha tocado. Minutos depois, batidas à porta. Minha mãe. Mas gente, eu deixei o celular pra me despertar à 5h50! Enfim, já não dava pra voltar a dormir, levantei e fui lavar a cara amassada.

A Gi ficou de passar em casa e me pegar às 6h20. Seis e meia e nada de Gi aparecer. Às 6h31, um sms: “Bom dia! Tô saindo da minha casa, levo 10 min máx… Bjo”. de fato, cerca de 10 minutos depois ela chegou. Arranca o carro rua abaixo e me pergunta: “você tem seguro de vida?”.

Por volta das 7h40 chegamos no Anhangabaú. Pontinhos cor de rosa em todos os lugares, tudo muito fofo. Acho que toda mulher devia começar a correr numa prova dessas, só de mulheres. A coisa fica mais bonitinha, sabe?

Ventava bastante, mas não estava frio. Deixamos a mochila com as tranqueiras no guarda-volume e fomos em direção à concentração pra largada. Tentei ligar pra Clau algumas vezes mas ela não atendeu. O jeito seria tentar encontrá-la no final.

Faltavam 10 minutos pra largada, Gi olha meu pé e pergunta: “cadê seu chip?”. Pergunta capciosa, essa menina só me faz pergunta difícil. POUTZ, esqueci na mochila. E volta correndo pro guarda-volume. Pede pro tiozinho, tiozinho ri, mas é bonzinho e pega a mochila pra mim. Chip devidamente colocado, voltamos à concentração. Corredora iniciante é fod*, fala sério.

Oito horas – FUÉEEEEEIN – soa a corneta, milhares de mãozinhas animadas pra cima, gritinhos e risinhos… mulher é fod*. Cerca de 2 minutos depois, passamos pelo portal. Só que ele estava pro lado contrário ao mostrado no site. UÉ, UÉ… enfim, ‘vambora.

Logo no comecinho, uma subidinha “amiga”, na Líbero Badaró. É uma subidinha curta, mas o peso dos 52k pedalados no dia anterior começou a fazer efeito logo ali. Como a Gi queria testar o tempo dela sozinha, já dei carta branca pra ela me largar pra trás sem dó. Então, no final do viaduto Santa Ifigênia, dei bye bye à trancinha loira pulante que sumiu em meio ao mar cor de rosa. Well, agora era só eu, tentando me manter no meu ritmo.

Na Avenida Ipiranga as pernas pesadas começaram a ficar mais leves. Endorfina já rolava, que ótimo. Se mantiver nesse ritmo acho que termino. Nesse trecho, Fix You do Coldplay me impulsionava.

O grande lance é que eu não tinha estudado direito o trajeto (o mapa do site oficial da prova era bem pequeno), e o fato de termos saído pro lado contrário ao que eu tinha imaginado que seria, me confundiu toda. Eu não tinha ideia do quanto me faltava pela frente. Por isso, optei por me manter num ritmo confortável a maior parte do tempo, pra conseguir chegar ao final sem ter de caminhar.

Minha garganta estava seca, e eu me perguntando se haveria nessa prova algum posto de hidratação, quando, do nada, surge o oásis. Peguei um copinho, dei dois goles pra molhar a garganta, e o resto foi pra lavar a cara. Havia certos pontos em que o calor era grande, intercalados com pontos de ventania refrescante. Literalmente uns kamikazes (ventos divinos).

No viaduto D. Paulina, seguindo a dica do Isma, diminuí meu ritmo. Acho que pela metade (rs). Mas ok, subi sem ofegar. Love Today (Mika) era o som nesse momento. Depois desse trecho tem a descida ao lado da Catedral da Sé, peguei carona no som de This Picture, do Placebo, e fui com a ajuda da gravidade.

Depois disso, o retão que sai no São Bento. Pra mim, dali ainda iríamos lá pra Av. Ipiranga, mas UAI, a gente já tinha passado por lá… diminuí de novo o ritmo, o medo de não saber o quanto faltava ainda era grande. Não sei se deixei passar as outras, mas a única placa com marcação de quilometragem que vi foi no km 2. E o maldito km 3 nunca chegava!

Para minha surpresa, chegando novamente no largo do São Bento, vi o pelotão virar à esquerda na Líbero Badaró. Mas será que já estamos chegando?! Fiz a esquina e ficou comprovado: estava na reta final! E era uma descida! Uma alegria indescritível tomou conta de mim, e James Hetfield gritando no meu ouvido: “Die, die my darling”, e eu pensando “die die você, caral**!”…

Ao longe enxerguei o relógio do portal marcando 08:38:… Pensei “vou chegar antes dos 40min” e saí feito cavala. Sabe, Chariots of Fire rolando na mente e tudo mais… puro glamour (rsrsrs). Cheguei antes dos 40. E não morri.

Passei pelo portal – sons de anjos e harpas tocando na mente – toda sorrindinho. Encontrei a Gi, fomos pegar nossas medalhinhas (essa coisinha fofa da foto lá no início). Ao entrar na fila, não pude evitar o pensamento chulo de entregar meu chip e dizer à moça “um número três com coca zero”. Afinal, era uma corrida do Mc Donald’s, né? Mas o que recebi foi algo que mais se aproximava de um Mc lanche infeliz: uma maçã, uma banana e um Powerade.

Encontramos a Clau, tiramos fotinhas, eu com ela, eu sem ela, põe medalha, agora nós três. Três mulherezinhas felizes e suadas.

Já dizia minha irmã: “depois da primeira, já era”. Talvez ela tenha razão. Eu nunca havia me interessado pela modalidade corrida, por acreditar que não teria fôlego para completar uma prova. Terminei essa e já quero mais.

Finalizando, cabe um muito obrigada a todos os amigos que torceram pra eu sair viva dessa. Clau, valeu por ter me chamado pra participar! Fiquei super motivada por você. E Isma, meu coach, valeu pelas dicas e pela companhia no treino pré-prova – vamos treinar com mais frequência daqui pra frente!

Corrida é “mó legal”. VEM, GENTE!

09
ago
11

I ♥ T-Shirts!

Toda mulher tem alguma compulsão de consumo, se não várias ao mesmo tempo.  Eu já fui viciada em Melissas, mas isso eu superei (será? Depois de ter comprado 20 pares já chega?). Também tenho grande coceira na mão por bolsas… mas meu grande fraco, do qual não consigo me livrar de jeito nenhum, é a minha paixão por T-Shirts estampadas.

Não sei se isso é uma tentativa inconsciente de me prender ao meu lado infantil. Tenho muito desse lance de síndrome de Peter Pan, confesso. E ele se reflete diretamente no meu vestuário. Há 10 anos eu não me imaginava usando camisetas do Mickey aos trinta, sinceramente. Pô, que decepção, Lux! Mas é o que tem pra hoje.

Como boa colecionadora que sou, hoje resolvi revirar o armário em busca de algumas das minhas Ts favoritas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em ordem de aparição: Corujinha (Colcci), Scooby Doo (2nd Floor), Corações (Colcci), Garota Like a Superstar (Zara – esta foi presente), Passarinhos estilo Twitter (NonSense), Bambi (Renner), Static Sounds (Mango), Batman (2nd Floor), Minnie Mouse (Renner), Burrinho do Puff (Renner), Ultraman (Kid Robot), Basset Hound (Colcci), Pato Donald (Zara).

Estou namorando uma fofíssima com estampa do Caco dos Muppets, que vi no quiosque da Mumps do Market Place. E tem ainda a preta com desenho de câmera da Nonsense… Segura $$$$$!!!

27
jul
11

Breve retrospectiva da vida inteira

Há 30 anos eu nasci.

Há 29 anos quase matei minha mãe de susto bezuntando a cara de creme Nivea.

Há 28 anos meu adulto preferido era meu avô.

Há 27 anos eu e minha irmã comemorávamos nossos aniversários juntas, cada uma com seu bolo.

Há 26 anos subia no portão de casa e falava oi pra todo mundo.

Há 25 anos me perdia nos corredores do Mercado e chorava achando que minha mãe tinha me abandonado.

Há 24 anos li meu primeiro livro.

Há 23 anos eu tocava piano (mas odiava).

Há 22 anos me sentia a estranha no ninho na escola por ser a única japa da turma.

Há 21 anos eu usei um aparelho ortodôntico externo que parecia uma fucinheira.

Há 20 anos comecei a vaidosamente deixar a franja crescer para poder segurar com tiara.

Há 19 anos aprendi o verb to be.

Há 18 anos ganhei minha última Barbie – e comecei a parar de achar graça em brincar com bonecas.

Há 17 anos eu andava feliz de busão por aí e achava tão legal pegar metrô quando ia à Liberdade!

Há 16 anos meu coração dava os primeiros pulinhos por um professor de matemática.

Há 15 anos eu estava na metade de tudo que vivi até hoje.

Há 14 anos dei meu primeiro beijo mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa.

Há 13 anos eu vivia num lugar muito longe e diferente daqui.

Há 12 anos me sentia como se tivesse congelado no tempo durante 2 anos enquanto o mundo seguia girando.

Há 11 anos briguei feio com minha mãe e fiquei sem falar com ela por um mês.

Há 10 anos passeava entre túmulos e me vestia só de preto, bebendo vinho barato e recitando poemas de Byron até o amanhecer.

Há 9 anos ingressei na graduação em Letras e descobri que a faculdade é uma das fases mais divertidas da vida.

Há 8 anos arrumei meu primeiro emprego – na realidade um estágio – e sobrevivia com 400 reais/mês.

Há 7 anos tinha algumas DPs penduradas no currículo escolar e não dava a mínima pra isso.

Há 6 anos ia pra balada e esperava o busão voltar a circular – invariavelmente dormia na volta e acordava no PQP com cara de panda.

Há 5 anos comecei a esboçar os primeiro sintomas da crise do pânico que vim a desenvolver anos mais tarde.

Há 4 anos ingressei numa relação equivocada em que amei o outro muito mais do que a mim mesma.

Há 3 anos meu pai voltou definitivamente pra casa.

Há 2 anos assisti ao show do Radiohead e desde então nada mais me importa, em termos de show musicais imperdíveis.

Há 1 ano eu dizia que não aguentava mais, mas sempre empurrava mais um pouquinho com a barriga.

Hoje acordei 10 minutos mais tarde porque ontem fiquei acordada respondendo joguinho no facebook.

Há 15 horas saí pro trabalho e brinquei com meu cachorro no portão.

Há 9 horas estava dando gargalhada com os colegas do trabalho, conversando sobre as diferenças sociais entre as cidades.

Há 6 horas peguei o trem errado duas vezes e perdi a sessão de acupuntura por conta disso.

Há 3 horas jantei bife ao shoyu e salada. A sobremesa foi sagu.

Há 1 hora (ou mais) comecei a escrever este post.

Agora é fechar o note, tirar a make, escovar os dentes, checar o despertador e dormir.


22
jul
11

Desejo do dia

Domo roupa *_*

Domo roupa




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.